Morna Património Imaterial da Humanidade: “O momento esperado e desejado aconteceu” - Ulisses Correia e Silva

Para o Primeiro-ministro, “o momento esperado e desejado aconteceu. Morna é património imaterial da humanidade”. Para Ulisses Correia e Silva o mundo assinala a inscrição da Morna na seleta lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade, motivo pelo qual “é um dia particularmente feliz em ki nu debi xinti feliz por ter nascido cabo-verdiano”.

O Chefe do Governo reagiu assim, na tarde de ontem, logo após a consagração da Morna como Património Imaterial da Humanidade, no âmbito da 14ª sessão do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, em Bogotá, Colômbia. Ulisses Correia e Silva falava, ladeado de músicos, cantores e instrumentistas que participaram de um cocktail de celebração, para reagir à decisão, no Palácio do Governo.

“Este é um momento para celebrar compositores e músicos como Eugénio Tavares, B. Léza, Cesária Évora, Ildo Lobo, Bana, Amândio Cabral, Abílio Duarte, Jotamonte, Tututa, Olavo Bilac, Manuel d’Novas, Renato Cardoso, Paulino Vieira, Antero Simas, Nhela Spencer, Betú e o pioneiro da ideia de candidatura da Morna a património imaterial da humanidade, Moacyr Rodrigues e os pioneiros da iniciativa de consagração do Dia Nacional da Morna (3 dezembro – data nascimento de B. Léza), Vasco Martins e Adalberto Silva (Betú). Esta geração é inspiração e fonte de salvaguarda para as novas gerações que hoje abraçam, preservam e internacionalizam a Morna e a nossa música”, apontou o primeiro-ministro, sublinhando que há tantos outros nomes que fazem parte da morna. “Perdoem-me não poder citar mais nomes, tantos são, de várias gerações, de finais do século XIX aos dias de hoje, que fizeram e fazem com que o cabo-verdiano seja um povo privilegiado por Deus pela Morna”.

O Primeiro-ministro afirmou, por outro lado, que a consagração da Morna como património da humanidade “impõe-nos maiores responsabilidades na preservação, salvaguarda, valorização e promoção da Morna em Cabo Verde, junto da nossa Diáspora e no Mundo”. Aliás, assegurou que Cabo Verde irá honrar e cumprir com a UNESCO e com o Mundo o reconhecimento da Morna como património de toda a humanidade.
“O Orçamento do Estado para 2020 prevê verbas para o início da implementação do plano de salvaguarda aprovada no conjunto do dossier de candidatura, assim como o IPC foi dotado de um novo estatuto que reforça as suas competências no trabalho de preservação e divulgação no nosso património histórico e cultural”, garantiu o primeiro-ministro.

É necessário igualmente aproveitar todo o capital intrínseco à classificação da Morna como património da humanidade. “
É enorme e vamos aproveitá-lo bem do ponto de vista da notoriedade do país, da promoção da cultura e da economia, particularmente do turismo com a marca indelével da expressão mais genuína deste povo crioulo, cosmopolita, com mais de cinco séculos e meio de história, indicou, para quem, é também uma grande oportunidade para o sector empresarial da música nacional; novas carreiras, novos palcos e novas agendas que se abram para os nossos músicos.

Fonte: Governo de Cabo verde